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domingo, 3 de janeiro de 2010

Madeleine Vionnet: a Purista da Moda



Hoje fui na Exposição de Madeleine Vionnet no Les Arts Decoratifs. Fica até 31/01 e é absolutamente imperdível ver de pertinho sua técnica singular de compor uma roupa. Várias blusas não têm sequer cavas! E ela criava tudo em uma bonequinha, sem desenhos. Filmei partes da exposição, apesar dos videos estarem meio escuros.

Para quem não conhece o trabalho de Vionnet, aí vai um resumo:


 Madeleine Vionnet conseguia transformar tecidos em verdadeiras esculturas. Nascida no interior da França, em 1876, aos 11 anos já era aprendiz de costureira e aos 18 já tinha casado e se divorciado. Após um curto período em Londres, retornou a Paris onde foi trabalhar na Callot Souers, em 1901, e com Jacques Doucet, em 1907. Abriu sua própria maison em 1912, mas quando I Guerra estourou na Europa foi obrigada a fechá-la. A reabertura aconteceu em 1918.



Apesar de Vionnet não ter inventado o corte enviesado, tornou-se, sem dúvidas a mestra dessa técnica. Os tecidos que usava eram encomendados quase dois metros mais largos para esculpir os drapeados, o que era feito diretamente em suas manequins-miniaturas. Seu objetivo era conseguir forma e caimento perfeito, por isso suas peças quase não tinham costuras e cavas. Ela partia de formas geométricas, como quadrados e triângulos, para construir suas roupas que muitas vezes pareciam estranhas e amorfas, até serem vestidas e adquirirem os contornos do corpo feminino. Seus tecidos preferidos eram os mais maleáveis: seda, musseline, cetim e veludo, além do exclusivo crepe rosalba, desenvolvido pela fornecedora Bianchini-Ferier especialmente para Vionnet.



O auge da fama de Vionnet aconteceu entre o fim da década de 20 e o começo dos anos 30, quando o glamour hollywoodiano atingia o seu ápice e os vestidos de cetim, inspirados em seus modelos, eram perfeitos para as telas de cinema. Além dos lindos vestidos longos de corte enviesado, ela divulgou bastante a gola capuz e a frente-única em suas criações. Preocupada com o plágio, fotografava todas as suas peças de frente, de perfil e de costas e arquivava tudo num “livro de direitos ao autor”. Chegou a gravar suas digitais nas etiquetas também.


Madeleine aposentou-se em 1939 e morreu em 1975, com 98 anos. Entre os seus admiradores estão Azzedine Alaïa, Issey Miyake, Vivienne Westwood e o mestre Cristobal Balenciaga, que a considerava um gênio. Até hoje, nenhum estilista conseguiu ir além nas técnicas de alta-costura. Vionnet não é famosa como Chanel, mas suas criações para a moda são consideradas verdadeiras obras de arte.

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Paris: um Roteiro

Este é um roteiro bem básico para curtir Paris, para quem já conhece os principais pontos turísticos (Louvre, Torre Eiffel, Notre Dame...) e gosta de caminhar pela cidade. Foi mais ou menos o que fiz nessa minha última visita e, claro, inclui vários programas ligados à moda. Vamos lá:

1º dia: passeio por St. Germain de Près. Gosto muito de ir ao Bon Marché conferir as novidades, já que ele é bem menos cheio que a Galeries Lafayette e a Printemps e o andar de estilistas contemporâneos é de babar (Balenciaga, Stella, Marni, Chloé...). Dali, siga pelo Blvd St. Germain até a Rue de Rennes, onde fica uma das H&Ms da cidade. Rue Du Bac, rue François 1er, Blvd Raspail, rue Bonaparte e a praça da igreja St. Sulpice estão nas adjacências e concentram várias lojas importantes: Sonia Rykiel, Prada, Diane von Furstenberg, Céline, Paul Smith e até a GAP.

Para comer, ande mais um pouquinho ou pegue o metrô para St. Michel. Há dois restaurantes lá que adoro: o Chez Clements ( 9 place St. André des Arts - 75005) que tem uma ótima decoração e pratos deliciosos e o Le Grand Bistro (7, rue St Severin – 75005) para fondue. O de 3 queijos é maravilhoso e serve 2 pessoas tranquilamente.

2º dia: o Museu Les Arts Décoratifs é sempre obrigatório para ver exposições de moda. Desta vez vi a da Madeleine Vionnet. O bom é que são 4 museus no mesmo espaço e o ingresso vale para todos: Musée de la Mode e du Textile, Arts Décoratifs, Publicité e Nissim de Camondo. A livraria que fica ao lado da entrada é indispensável.


Depois dos museus é hora de partir para a Rue St.Honoré e para a Faubourg St. Honoré. Comece pela Colette, claro, (obs: o restaurante do subsolo serve saladas e sanduíches muito bons) e antes de seguir em frente, atravesse a rua e vá até a Place du Marche St Honoré. Sabe o que tem lá? Marc by Marc Jacobs feminino, masculino e infantil. A loja feminina obviamente parece a Americanas na véspera de Natal mas sempre tem produtos incríveis e em conta.

Volte para a St.Honoré e delicie-se com as vitrines das grifes de luxo: Miu Miu, Lanvin, Givenchy, Prada (que está em reforma mas abriu uma loja provisória na rua), Alberta Ferretti etc. Em frente à Gucci há uma Ladurée. Vale a pena parar para comer os melhores macaroons do mundo. Antes disso, vale uma pausa na Place Vendôme (uma das mais lindas) para conferir as vitrines das joalherias e as pessoas circulando pelo Ritz. Logo depois vale um desvio na rue Cambon para conferir o QG da Chanel e a escadaria lendária, de onde madeimoselle assistia aos desfiles.

A caminhada pode te levar até o Champs Elysées, que é sempre bom de conferir à noite, com todas as luzes. Não sou muito fã de lá pois as calçadas estão sempre abarrotadas de gente, mas a vista do Arco do Triunfo é sempre inesquecível.


3º dia: o Grand Palais e o Petit Palais são construções da virada do século XX que funcionam como museus. O Grand também costuma abrigar os desfiles da Chanel e é dividido em vários espaços. O maior é uma construção com teto de ferro enorme. Na lateral, acontecem exposições de arte. Desta vez, vi uma de Renoir.

Pertinho dali está a av. Montaigne e um dos meus pedaços preferidos de Paris. Além de concentrar grifes de luxo e suas sedes (Louis Vuitton e Dior, por exemplo), tem o Hotel Plaza Athenée e cafés chiquérrimos. A fundação Pierre Bergé-Yves Saint Laurent fica na vizinhança, assim como o Museu Galliera, que de vez em quando faz exposições sobre moda. Se “perder” por ali é sempre uma delícia. Para finalizar, uma caminhada às margens do Sena.

4º dia: o museu Georges Pompidou tem um acervo de arte contemporânea de babar. Já tinha ido em outra viagem mas não vi tantas obras como agora. No primeiro andar estão as exposições temporárias, mas é no segundo que estão Picassos, Braques, Matisses, Chagalls... Suba até o último pavimento para conferir a vista de Paris. Se o dia estiver ensolarado, é de tirar o fôlego.

Ao sair dali, há algumas opções: compras na rue de Rivoli (H&M, Zara, Sephora, Parashop - uma farmácia só de cosméticos de marcas como La Roche, Vichy, Avène, Uriage) e um pulinho na BHV, uma loja de departamento do grupo Lafayette que tem de tudo: de materiais de construção a roupas de marcas famosas.
A segunda opção é partir para a Ile de St. Louis, que fica atrás da Notre Dame e é tão chique quanto famosa pela loja dos sorvetes Berthillon. Quase do lado deles está o restaurante St. Regis, um daqueles típicos franceses, porém com preços baratos (um prato custa em média 10 euros).

5º dia: a região da Opera concentra os grands magasins (Printemps e Galeries Lafayette), a Citadium, voltada ao streetwear, além de Sephora, Zara, H&M e, agora, a Uniqlo. A rede japonesa (17 rue Scribe – 75009) faz mais a linha da GAP, com básicos femininos e masculinos e a ótima linha em parceria com a Jil Sander. O bom é que as peças têm qualidade e são baratas.

Descendo a avenida da Opera, você chega até o Palais Royal que, como todo mundo sabe, concentra o brechó de Didier Ludot e as lojas de Marc Jacobs, Stella McCartney e Martin Margiela (que fica fora dos corredores). Pertinho dali há um ótimo restaurante italiano, o Poeta (31, rue de Richelieu – 75001). O dono é super simpático e a comida, uma delícia. Recomendo o spaghetti com frutos do mar. Para finalizar, um passeio pelo jardim das Tulleries faz a gente esquecer da vida.



6º dia: o Marrais, com suas lojinhas e pâtisseries, sem contar a Place des Vosges, é o SoHo de Paris. Na rua Francs Bourgeois estão os melhores endereços e lá é o único lugar onde as lojas abrem aos domingos. Depois que sair da praça, vire à esquerda e siga alguns quarteirões pelo Blvd Beaumarchais. Ali estão espalhadas raridades como as lojas de filatelia, de câmeras fotográficas e de gravuras antigas. No número 111 fica a hypada Merci.

O jantar pode rolar nos famosos Benoit (20, rue St. Martin – 75004) ou L’Ami Louis (32, rue de Vertbois – 75003)

Esse roteiro cobre, na minha opinião, o essencial de Paris. Aconselho um passeio até o Palácio de Versalhes (tem que pegar o RER em direção a Versailles Rive Gauche) que pode durar metade do dia. Não deixe de visitar os jardins e, se der tempo, o Trianon, que fica bem afastado da entrada. A Disney também é uma boa pedida (RER em direção a Marne-la-Vallée Chessy). São 2 parques (o Magic Kingdom e o Disney Studios Park) que podem ser visitados num só dia.

No mais, aproveite cada gole de vinho, refeição, docinhos, visões e caminhadas pela cidade, pois não há lugar no mundo para se sentir mais feliz!!!

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Paris Before It Sizzles









Se o que está do outro lado do Atlantico não fosse tão maravilhoso, eu desistiria. Viagens internacionais são altamente estressantes. Você tem que organizar mil documentos (e checar 300 vezes se não esqueceu nada), fazer o roteiro, a lista do que você quer comprar (que desta vez por total exaustão foi deixada de lado) e aí vem a mala, um capitulo à parte.

Mala de inverno é o terror. Da mesma forma que os europeus não sabem se vestir pro verão daqui, turista de país tropical no inverno de lá é catastrófico. E como abomino esse look “sou turista e não to nem aí”, comecei a planejar minha mala 3 dias, o que é até tarde para muitas. A idéia era experimentar todos os looks e ir fotografando, porém fazer isso num calor de 40º é desumano, então o jeito foi arrumar as roupas em cima da cama e ir fotografando mesmo. A recomendação é levar um ou dois sobretudos, no máximo. Impossível. Estou levando 5, incluindo 1 de pele (fake, claro). E como não curto nem um pouco o look “corvo de Notre Dame” – misturado à minha pele branca é de espantar – as peças em preto tem que se misturar às coloridas. São 2 casacões vermelhos e várias blusas e cachecóis coloridos, todos em tons favoráveis pra minha difícil combinação pele branca + cabelo avermelhado.

Dilema resolvido. Chega o dia da viagem e já acordo cansada. Não, não vou conseguir dormir no avião, no máximo dar uns cochilinhos embalados pelo vinho (nacional, oui!). Meu namorado surta e resolve sair de casa às 16h. O vôo é às 21h20. Chegamos em 20 minutos. O check in do vôo anterior (19h20) está começando... Vamos na Receita Federal declarar os gadgets. Descubro que não preciso declarar meu lap, que foi comprado aqui. Nisso, o céu cai sobre o Rio de Janeiro. Falta luz. O Galeão é fechado. Ok, poderíamos ter pego essa tempestade. Mesmo assim, se saíssemos 1 hora mais tarde ainda chegaríamos com folga!!!
Estou tão irritada e absurdamente com calor pois a luz voltou mas o ar condicionado não funciona direito! Fui no banheiro trocar de roupa. Sério. É desumano. Decidimos entrar pro portão de embarque. Não tem lugar pra sentar. Vamos pro Free Shop. Também está quente. Estou carregando 2 bolsas de mão que já deixaram meus ombros marcados. Não dou a mínima para os cosméticos e óculos do Free Shop (deu pra perceber minha irritação?).

São 18h. Conseguimos sentar. Coldplay e U2 me acalmam um pouco. Estou lendo “Divorciada Debutante”, da Plum Sykes, finalmente. As situações surreais das personagens me relaxam um pouquinho. Daqui a meia hora (se Deus quiser) vão começar a chamar pro embarque. Continuo de vestidinho de alça e meus pés derretem na bota. Meus pais dizem para eu não me estressar, afinal estou indo para Paris... Só espero que assim que avistar a Torre Eiffel, passear na Faubourg, ver a exposição da Vionnet e flanar pelo Sena eu esqueça de tudo. E fique alegre por sair de quase 40º para cerca de 4º. Acho que nem vou sentir frio... Au revoir!

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